DECISÃO<br>Trata-se de agravo interposto por NEXUS HOTEL E RESIDENCEScontra decisão que não admitiu recurso especial.<br>O apelo nobre, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiroassim ementado:<br>"AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO NDENIZATÓRIA. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL NA PLANTA. PEDIDO DE PARTICIPAÇÃO DO AGRAVANTE COMO ASSISTENTE DOS RÉUS. IRRESIGNAÇÃO QUE NÃO MERECE ACOLHIDA. QUESTÃO PRECLUSA. O DESPACHO SANEADOR INDEFERIU, CORRETAMENTE,SEU INGRESSO NOS AUTOS PRINCIPAIS,NÃO TENDO HAVIDO QUALQUERI NSURGÊNCIA TEMPESTIVA. ACRESCENTE-SE QUE NÃO FOI POSSÍVEL SUA INTIMAÇÃO DIANTE DA AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO NAQUELES AUTOS, CONFORME SE DEPREENDE DA CERTIDÃO DE FL.1080. PRECLUSÃO DO DECISUM QUE IMPÕE SUA MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. RECURSO CONHECIDO. PROVIMENTO NEGADO. (fl. 73, e-STJ).<br>Os embargos de declaração opostos foram rejeitados(fls. 87/93, e-STJ).<br>Nas razões do especial (fls. 171/181, e-STJ), a parte recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 269, § 2º, 272, 278 e280 do Código de Processo Civil/2015. Sustenta, em síntese, que não há falar em preclusão, tendo em vista quenão "teve ciência do ato praticado, pois não foi intimado e, além disso, não houve a publicação dos atos no órgão oficial em nome da parte e seu advogado" (fl. 179, e-STJ).<br>Oferecidas as contrarrazões (fls. 257/264, e-STJ), o recurso não foi admitido na origem. Daí o presente agravo, no qual se busca o processamento do apelo nobre.<br>É o relatório.<br>DECIDO<br>O acórdão impugnado pelo recurso especial foi publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).<br>A irresignação não merece acolhida.<br>Com efeito, as conclusões do tribunal de origem acerca do mérito da demanda decorreram inquestionavelmente da análise do conjunto fático-probatório carreado aos autos, o que se pode facilmente aferir a partir da leitura dos fundamentos do julgado atacado, que ora se colaciona, na parte que interessa:<br>"(..)No presente caso, nos autos originários, às fls793/798,a COMISS"O DE REPRESENTANTES DO EMPREENDIMENTO NEXUS HOTEL & RESIDENCES requereu seu ingresso na condição de assistente simples de defesa das rés, tendo seu pedido sido indeferido quando da prolação do despacho saneador.<br>A decisão restou preclusa conforme certidão de fl. 1080 tendo sido esclarecido pelo cartório que o agravante "não foi intimado da decisão de fl. 1048 e não se encontra representado nos autos, conforme petição de fl. 1066. <br>Assim sendo, manifesta-se de forma irrefutável a presença da preclusão, razão pela qual não há que se falar em modificação do decisum.(fls.76,e-STJ- grifou-se).<br>Nesse contexto, denota-se que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que se mostra inviável ante a natureza excepcional da via eleita, conforme dispõe oenunciado da Súmula nº 7 deste Superior Tribunal.<br>Além disso, extrai-se das razões recursais que a parte recorrente não refutou os seguintes fundamentos adotados pela Corte local:<br>"(..) Não é despiciendo assinalar que, no mérito, não haveria que se autorizar o ingresso do agravante posto que apesar de as rés nomearem o contrato como obra por administração, todos os pagamentos realizados pelos autores foram feitos diretamente as mesmas e, portanto, são em tese as responsáveis financeiramente pelo empreendimento" (fls. 76/77, e-STJ- grifou-se).<br>Assim, havendo fundamento suficiente no julgado impugnado que não foi objeto de impugnação pela parte recorrente, aplica-se, no ponto, o óbice da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles".<br>Nesse sentido:<br>"AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA. TERCEIRO DE BOA-FÉ. ART. 42, § 3º, DO CPC/73. VENDA DO IMÓVEL. LITÍGIO PRECEDENTE. INTERDITO PROIBITÓRIO. AUTOR. SUPOSTO TERCEIRO INTERESSADO. FUNDAMENTO INATACADO SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO. SÚMULA Nº 283/STF. HISTÓRICO DOS FATOS. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA. Nº 7/STJ. DECISÃO MANTIDA.<br>1. A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não conhecimento da pretensão recursal. Súmula nº 283/STF.<br>2. (..).<br>3. Agravo interno não provido" (AgInt nos EDcl no REsp 1.520.059/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 15/9/2017 - grifou-se).<br>"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. 2. NULIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO. MIGRAÇÃO DO PLANO DE SAÚDE. INFORMAÇÃO INSUFICIENTE ACERCA DA AMPLITUDE DO NOVO PLANO. SÚMULA 7/STJ. 3. DANO MORAL RECONHECIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NAS RAZÕES DO APELO NOBRE. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF, POR ANALOGIA. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.<br>1. Verifica-se que o Tribunal de origem analisou todas as questões relevantes para a solução da lide, de forma fundamentada, não havendo se falar em negativa de prestação jurisdicional.<br>2. (..).<br>3. Considerando que nem todos os fundamentos do acórdão recorrido foram objeto de impugnação específica nas razões do recurso especial, é imperiosa a incidência, à hipótese, do óbice da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal.<br>4. Agravo interno desprovido" (AgInt no AREsp 1.091.133/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe 15/9/2017 - grifou-se).<br>Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecerdo recurso especial.<br>Deixa-se de majorar os honorários recursais, tendo em vista que não foram arbitrados na origem.<br>Publique-se.<br>Intimem-se.