DECISÃO<br>rata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de DAVID TIBIRICA MELDENBERGER, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ no julgamento do Habeas Corpus Criminal n. 0082545-38.2025.8.16.0000.<br>Extrai-se dos autos que o paciente foi preso em flagrante em 17/6/2025, posteriormente convertido em prisão preventiva, pela suposta prática do crime tipificado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06.<br>Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem nos termos do acórdão que restou assim ementado:<br>"DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRETENSÃO DE REVOGAÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR OU IMPOSIÇÃO DE MEDIDAS ALTERNATIVAS. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ALEGAÇÕES DE FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA A DECRETAÇÃO DA PREVENTIVA, CABIMENTO DE MEDIDAS ALTERNATIVAS E RELEVÂNCIA DAS CONDIÇÕES FAVORÁVEIS DO PACIENTE. REITERAÇÃO DE PEDIDOS FORMULADOS POR MEIO DE ANTERIOR PENDENTE DEWRIT JULGAMENTO. LITISPENDÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. TESE DE NULIDADE DECORRENTE DE DA CARACTERIZAÇÃO DE NÃO ACOLHIMENTO. EXTENSAFISHING EXPEDITION. INVESTIGAÇÃO SOBRE A ATUAÇÃO DE GRUPO ORGANIZADO PARA O COMÉRCIO ILEGAL DE ANIMAIS SILVESTRES E EXÓTICOS. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E QUEBRA DE SIGILO DE DADOS JUDICIALMENTE AUTORIZADAS. LOCALIZAÇÃO DE DIÁLOGO DEMONSTRANDO INDÍCIOS DE ENVOLVIMENTO DO PACIENTE. EXPEDIÇÃO DE MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO. APREENSÃO DE COFRE TRANCADO. POSSÍVEL GUARDA DE DOCUMENTOS E OBJETOS RELACIONADOS AO DELITO. RECUSA NA ABERTURA. ARROMBAMENTO REALIZADO EM CONSONÂNCIA COM O DISPOSTO NO ART. 245, § 3º DO CPP. LOCALIZAÇÃO DE 384 G (TREZENTOS E OITENTA E QUATRO GRAMAS) DE COCAÍNA. SERENDIPIDADE. DESCOBERTA FORTUITA DE PROVAS DE OUTRA INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE. PRECEDENTES. NULIDADE POR QUEBRA NA CADEIA DE CUSTÓDIA. CRONOLOGIA DE PRODUÇÃO DAS PROVAS BEM EVIDENCIADA NOS AUTOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE POSSÍVEL INTERFERÊNCIA OU CONTAMINAÇÃO DA PROVA. EVENTUAL QUEBRA QUE NÃO RESULTA NA NULIDADE DO FEITO, MAS NA INVALIDADE DA PROVA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ADULTERAÇÃO. DEPENDÊNCIA DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CONSTATADO. ORDEM . CONHECIDA EM PARTE E DENEGADA<br>I. Caso em Exame<br>1. Trata-se de , com pedido liminar, impetrado habeas corpus contra decisão que decretou a prisão preventiva do paciente, pela suposta prática de tráfico de drogas.<br>II. Questão em Discussão<br>2. A questão em discussão consiste em saber se estão presentes os requisitos para a decretação da segregação cautelar, elencados nos artigos 312 e 313, ambos do Código de Processo Penal e se há nulidade decorrente de desvio de finalidade no cumprimento de mandado de busca e apreensão e da quebra da cadeia de custódia.<br>III. Razões de Decidir<br>3. Observa-se que parte da argumentação que dá lastro ao presente writ já foi apresentada em Habeas Corpus anterior, sob nº 0067679-25.2025.8.16.0000, distribuído a esta Relatoria na data de 24.06.2025 e ainda pendente de exame meritório.<br>4. Assim, a presente ordem não supera, parcialmente, o juízo preliminar de admissibilidade, por se tratar de repetição de teses já submetidas a apreciação nesta instância - o que, ademais, caracteriza litispendência.<br>5. Como teses inéditas, constam as alegações de nulidade por configuração de "pescaria probatória" e por violação na cadeia de custódia.<br>6. Diante da presença de fortes indícios do envolvimento do paciente com os delitos investigados e relacionados ao tráfico de animais silvestres, seu nome e endereço foram incluídos entre os pedidos de expedição de mandados de busca e apreensão, após extensa investigação.<br>7. O cofre apreendido poderia conter objetos vinculados à prática da comercialização ilegal, como documentos.<br>8. A par disso, a legislação processual penal permite que, resistindo o morador, seja empregada violência contra coisas existentes no interior da casa para o descobrimento do que se procura (artigo 245, § 3º do Código de Processo Penal). Essa violência é exemplificada, na doutrina, pelo arrombamento de portas, armários e cofres.<br>9. Nesse cenário de legalidade da busca, o encontro fortuito de entorpecentes no interior desse mesmo cofre caracteriza o fenômeno da serendipidade, amplamente reconhecido pela jurisprudência.<br>10. Não se constata manifesta ilegalidade relativa ao procedimento de colheita das provas consistentes no conteúdo do cofre aberto na sede da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.<br>11. Até o momento, não há evidências de qualquer irregularidade na colheita da prova ou indícios mínimos de que os materiais decorrentes da abertura do cofre tenham origem falsa, posto que a impetrante deixou de trazer elemento concreto de que houve adulteração, interferência ou "provas plantadas" por quem quer que seja, a ponto de invalidar as evidências colhidas.<br>IV. Dispositivo e tese<br>12. Ordem conhecida em parte e denegada."<br>No presente writ, a defesa alega que a decisão que decretou a prisão preventiva não observou os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal - CPP, sustentando que a fundamentação baseou-se exclusivamente na reincidência do paciente e na quantidade de droga apreendida, sem elementos concretos que demonstrassem risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.<br>Alega, ademais, que a reincidência, por si só, não constitui fundamento idôneo para a segregação cautelar, sendo necessário que a decisão esteja amparada em dados objetivos do caso concreto. Invoca precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a prisão preventiva deve ser medida excepcional e devidamente motivada.<br>Sustenta, ainda, que a quantidade de droga apreendida (384g de cocaína) não pode, isoladamente, justificar a custódia cautelar, citando jurisprudência que afasta a gravidade abstrata do delito como motivo suficiente para a manutenção da prisão.<br>Requer, em liminar e no mérito, a concessão da ordem para que seja revogada a prisão preventiva, com ou sem aplicação de medidas cautelares diversas.<br>Liminar indeferida às fls. 53/56.<br>Informações prestadas às fls. 62/65 e 66/123.<br>Parecer do MPF opinando pelo não conhecimento do habeas corpus às fls. 125/128.<br>É o relatório.<br>Decido.<br>Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ.<br>Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável a análise do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal.<br>Conforme relatado, busca-se, na presente impetração, a revogação da custódia cautelar imposta ao paciente. Ocorre que, da atenta análise dos documentos acostados ao feito, não se verifica, ao menos nesse momento, o constrangimento ventilado.<br>O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou posicionamento segundo o qual, considerando a natureza excepcional da prisão preventiva, somente se verifica a possibilidade da sua imposição e manutenção quando evidenciado, de forma fundamentada em dados concretos, o preenchimento dos pressupostos e requisitos previstos no art. 312 do CPP.<br>Convém, ainda, ressaltar que, considerando os princípios da presunção da inocência e a excepcionalidade da prisão antecipada, a custódia cautelar somente deve persistir em casos em que não for possível a aplicação de medida cautelar diversa, de que cuida o art. 319 do CPP.<br>No caso dos autos, conforme se tem da leitura do acórdão impugnado, verifica-se que a prisão cautelar foi adequadamente motivada pela instância ordinária, que demonstrou, com base em elementos concretos dos autos, a periculosidade da agente e a gravidade concreta do delito, na medida em que, quando do cumprimento de mandado de busca e apreensão, foi arrecadado "um cofre que continha, entre outros objetos, balanças, embalagens plásticas e 384 g (trezentos e oitenta e quatro gramas) de cocaína." (fl. 21)<br>Não bastasse, vale destacar que o paciente é reincidente, conforme se observa na execução, processo n 0018425-54.2019.8.16.0013, sendo ainda a prisão preventiva imprescindível para evitar a reiteração delitiva.<br>Nesse contexto, forçoso concluir que a prisão processual está devidamente fundamentada na garantia da ordem pública e evitar a reiteração delitiva, não havendo falar, portanto, em existência de evidente flagrante ilegalidade capaz de justificar a sua revogação.<br>A propósito, vejam-se os seguintes precedentes:<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA, TORTURA, SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO. PRISÃO PREVENTIVA.<br>FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE DA MEDIDA PARA O RESGUARDO DA ORDEM PÚBLICA. CONTEMPORANEIDADE E PRISÃO DOMICILIAR (ART. 318, VI, DO CPP). SUPRESSÃO DE INSTÃNCIA.<br>1. A tese de ausência de contemporaneidade da prisão preventiva não foi objeto de cognição pela Corte de origem, o que torna inviável a sua análise nesta sede, sob pena de incidir em indevida supressão de instância.<br>2. A prisão preventiva se encontra devidamente fundamentada em elementos do caso concreto, sobretudo na sua necessidade para a garantia da ordem pública, vulnerada em razão da gravidade concreta da conduta, da periculosidade do agente e do modus operandi utilizado - por causa de um furto que a vítima teria praticado em tese contra estabelecimento comercial de um dos investigados  .. , em retaliação, Aparecido teria sido levado até local ermo em Capão Bonito e depois agredido a facadas e disparos de arma de fogo pelos investigados.<br>3. Agravo regimental improvido.<br>(AgRg no HC n. 812.204/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.)<br>AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO.<br>INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. TORTURA. SEQUESTRO OU CÁRCERE PRIVADO. ALEGAÇÃO DE INOCÊNCIA. IMPROPRIEDADE DA VIA.<br>PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. DOMICILIAR PARA CUIDADOS DE FILHO MENOR DE 12 ANOS. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. AGRAVO DESPROVIDO.<br>1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício.<br>2. A tese de insuficiência das provas de autoria e materialidade quanto ao tipo penal imputado consiste em alegação de inocência, a qual não encontra espaço de análise na estreita via do habeas corpus ou do recurso ordinário, por demandar exame do contexto fático-probatório.<br>3. A prisão preventiva é uma medida excepcional, de natureza cautelar, que autoriza o Estado, observadas as balizas legais e demonstrada a absoluta necessidade, restringir a liberdade do cidadão antes de eventual condenação com trânsito em julgado (art.<br>5º, LXI, LXV, LXVI e art. 93, IX, da CF). Exige-se, ainda, na linha inicialmente perfilhada pela jurisprudência dominante deste Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal e agora normatizada a partir da edição da Lei n. 13.964/2019, que a decisão esteja pautada em motivação concreta de fatos novos ou contemporâneos, bem como demonstrado o lastro probatório que se ajuste às hipóteses excepcionais da norma em abstrato e revelem a imprescindibilidade da medida, vedadas considerações genéricas e vazias sobre a gravidade do crime.<br>4. No caso, a custódia encontra-se devidamente justificada na periculosidade do agravante, o qual, juntamente com os demais corréus, é acusado de integrar denominado "tribunal do crime", no qual as vítimas seriam mantidas sob cárcere privado e tortura, e "julgadas" por descumprimentos às determinações expedidas pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Ressaltaram as decisões que os "julgamentos", em geral, resultam na condenação das vítimas à pena de morte, executada pelos próprios membros.<br>5. Em relação à conduta específica do agravante, consta que, em tese, é um dos responsáveis pelos "julgamentos", bem como por pilotar veículo da organização criminosa, arrebatar a vítima e conduzi-la até o cativeiro. Os elementos dos autos, portanto, evidenciam a necessidade da prisão como forma de manutenção da ordem pública.<br>6. Eventuais condições subjetivas favoráveis, tais como primariedade, bons antecedentes, residência fixa e trabalho lícito, por si sós, não obstam a segregação cautelar, quando presentes os requisitos legais para a decretação da prisão preventiva.<br>7. As circunstâncias que envolvem o fato demonstram que outras medidas previstas no art. 319 do Código de Processo Penal são insuficientes para a consecução do efeito almejado. Ou seja, tendo sido exposta de forma fundamentada e concreta a necessidade da prisão, revela-se incabível sua substituição por outras medidas cautelares mais brandas.<br>8. Quanto ao pedido de substituição da prisão preventiva por domiciliar, não se mostram preenchidos os requisitos para o benefício, uma vez que, conforme destacado pelo magistrado singular, "a genitora dos menores está em liberdade e nada foi colacionado para os autos no sentido de que haja qualquer impossibilidade dela assistir as necessidades dos filhos, não havendo certeza inequívoca de que a rede de apoio familiar e estatal se mostra insuficiente aos infantes, considerando que só fora juntado aos autos apenas as certidões de nascimento das crianças, não comprovando a indispensabilidade dos cuidados do acusado".<br>9. Agravo regimental desprovido.<br>(AgRg no HC n. 727.068/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22/3/2022, DJe de 25/3/2022.)<br>Destaco que esta Corte Superior possui entendimento firme no sentido de que a presença de condições pessoais favoráveis do agente não representa óbice, por si só, à decretação da prisão preventiva, quando identificados os requisitos legais da cautela.<br>Ademais, o entendimento deste STJ é no sentido de ser inaplicável medidas cautelares alternativas quando as circunstâncias evidenciam que as providências menos gravosas seriam insuficientes para manutenção da ordem pública.<br>Nesse sentido:<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. QUANTIDADE DAS DROGAS APREENDIDAS. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO.<br>1. Em vista da natureza excepcional da prisão preventiva, somente se verifica a possibilidade da sua imposição quando evidenciado, de forma fundamentada e com base em dados concretos, o preenchimento dos pressupostos e requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal - CPP. Deve, ainda, ser mantida a prisão antecipada apenas quando não for possível a aplicação de medida cautelar diversa, nos termos previstos no art. 319 do CPP.<br>2. A prisão preventiva foi adequadamente motivada pelo Juízo de origem em juízo de retratação, após a interposição de Recurso em Sentido Estrito pelo Parquet estadual, tendo sido demonstrada, com base em elementos extraídos dos autos, a gravidade concreta da conduta, evidenciada pela relevante quantidade de droga apreendida - quase 10kg de maconha -, circunstância que somada ao fato de os entorpecentes terem sido apreendidos no táxi conduzido pelo réu, que, segundo denúncias anônimas, seria utilizado para o transporte de grandes volumes de entorpecentes, revela risco ao meio social, recomendando a manutenção da custódia preventiva a bem da ordem pública.<br>3. É entendimento do Superior Tribunal de Justiça que as condições favoráveis do paciente, por si sós, não impedem a manutenção da prisão cautelar quando devidamente fundamentada.<br>4. Inaplicável medida cautelar alternativa quando as circunstâncias evidenciam que as providências menos gravosas seriam insuficientes para a manutenção da ordem pública.<br>5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 979214/SP, relator Ministro Joel Ilan, Quinta Turma, DJEN de 19/5/2025.)<br>PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO. IMPUGNAÇÃO A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INEXISTÊNCIA. PRISÃO PREVENTIVA. FALTA DE CONTEMPORANEIDADE. AFIRMAÇÃO GENÉRICA. ATO COATOR NÃO APRESENTADO. EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. DESCABIMENTO.<br>GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. CONDIÇÕES PESSOAIS. CAUTELARES MENOS GRAVES. INSUFICIÊNCIA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E IMPROVIDO.<br>1. Deixando a parte agravante de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida, não merece ser conhecido o agravo regimental.<br>2. Não é possível conhecer a afirmação de ausência de contemporaneidade, efetuada apenas no pedido final de recurso ordinário, quando as razões correspondentes deixam de apresentar qualquer fundamentação em relação ao tema, omitindo-se em explicar por que a argumentação do acórdão de 2º grau estaria equivocada ao entender presente o requisito.<br>3. O habeas corpus e subsequente recurso ordinário devem ser desde o início instruídos com todas as peças indispensáveis à compreensão da controvérsia, especialmente com a decisão judicial indigitada como caracterizadora do constrangimento ilegal, não sendo admitida uma tardia realização de dilação probatória.<br>4. Em sede de habeas corpus ou recurso ordinário não é possível conferir todas as provas produzidas na investigação ou na ação penal, para verificar se há ou não indícios suficientes de autoria, porque essa providência não é compatível com o rito dos referidos meios de impugnação das decisões judiciais.<br>5. A prisão preventiva está devidamente fundamentada quando faz narração de gravidade concreta do crime de roubo, descrevendo que há menção a várias ameaças cometidas pelo acusado, inclusive de morte, uma das mais graves, contra mais de uma vítima, e mediante o uso de arma de fogo, com maior potencial de concretização do dano anunciado.<br>6. Presentes os requisitos da prisão preventiva, eventuais condições pessoais favoráveis não justificam a sua revogação.<br>7. Havendo motivo válido que justifique a manutenção da custódia preventiva, não se pode falar em sua substituição por nenhuma das medidas cautelares diversas da prisão.<br>8. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nesta extensão, improvido.<br>(AgRg no RHC n. 178.113/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 16/8/2023.)<br>Ausente, portanto, qualquer constrangimento ilegal que justifique a concessão da ordem, de ofício.<br>Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.<br>Publique-se.<br>Intimem-se.<br> EMENTA