DECISÃO<br>Cuida-se de Agravo apresentado por ORLANDO MARQUES DA SILVA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial.<br>O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim resumido:<br>APELAÇÃO - AFASTAMENTO PRELIMINAR - INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE APOSENTARIA - REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS - PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA - RECURSO DESPROVIDO 1 - CONSOANTE DISPÕE O ART. 36, §24, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, "  ASSEGURADO AO SERVIDOR AFASTAR-SE DA ATIVIDADE A PARTIR DA DATA DO REQUERIMENTO DE APOSENTADORIA, E A NÃO CONCESSÃO DESTA IMPORTARÁ O RETORNO DO REQUERENTE PARA O CUMPRIMENTO DO TEMPO NECESSÁRIO À AQUISIÇÃO DO DIREITO, NA FORMA DA LEI." 2 - O AFASTAMENTO PRELIMINAR NÃO COINCIDE COM O ATO DE APOSENTAÇÃO. OU SEJA, NÃO SE TRATA DE ANULAÇÃO DO ATO DE APOSENTADORIA, MAS APENAS O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DESTA. ASSIM, CASO NÃO SEJAM PREENCHIDOS OS REQUISITOS NECESSÁRIOS, A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PODE REVOGAR O AFASTAMENTO PRELIMINAR.<br>Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz contrariedade ao art. 1º do Decreto nº 20.910/32, no que concerne ao reconhecimento de prescrição do direito da Administração de efetivar o desligamento do servidor, em razão de cumprimento tardio de decisão judicial transitada em julgado em 29/05/2009 apenas em 05/12/2019, trazendo a seguinte argumentação:<br>O acórdão recorrido contrariou frontalmente o disposto no art. 1º do Decreto nº 20.910/32, que fixa o prazo de 5 (cinco) anos para que a Fazenda Pública exerça seus direitos. No caso em tela, a Administração Pública Estadual deixou escoar (fl. 512)<br>  <br>mais de uma década para cumprir decisão judicial transitada em julgado, o que configura prescrição do seu direito de rever a situação funcional do servidor. (fl. 513)<br>  <br>O recorrente teve indeferido pedido de aposentadoria após afastamento preliminar, sendo posteriormente desligado da Administração Pública em cumprimento tardio de decisão judicial transitada em julgado em 29/05/2009. O desligamento, contudo, só ocorreu em 05/12/2019, mais de 10 anos depois, o que evidencia a prescrição do direito da Administração em fazê-lo. (fl. 512)<br>Quanto à segunda controvérsia, a parte interpõe o recurso especial também pela alínea " c" do permissivo constitucional, trazendo a seguinte argumentação:<br>A decisão recorrida diverge de julgados do próprio Superior Tribunal de Justiça, os quais reconhecem a ocorrência de decadência/prescrição quando a Administração permanece inerte por prazo superior a cinco anos após trânsito em julgado:  (fls. 513-514)<br>É o relatório.<br>Decido.<br>Quanto à primeira controvérsia, não é cabível o Recurso Especial porque interposto contra acórdão com fundamento em legislação local, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Aplicável, por analogia, a Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário".<br>Nesse sentido: "A tutela jurisdicional prestada pela Corte de origem com fundamento em legislação local impede o exame do apelo extremo, mediante aplicação da Súmula 280/STF". (REsp 1.759.345/PI, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17.10.2019.)<br>Confiram-se ainda os seguintes precedentes: ;AgInt no AREsp n. 2.593.766/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 24/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.583.702/RS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 16/12/2024; AgInt no REsp n. 2.165.402/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 12/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.709.248/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt no REsp n. 2.149.165/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 3/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.507.694/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 25/9/2024; AgInt no AREsp n. 2.278.229/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19/12/2023; AgInt no AREsp n. 2.277.943/RN, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 25/10/2023.<br>Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos.<br>Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" ;(AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025).<br>Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.)<br>Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024.<br>Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.<br>Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita.<br>Publique-se.<br>Intimem-se.<br> EMENTA