DECISÃO<br>Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de PAULO VICTOR COSTA DE JESUS, apontando como autoridade coatora oTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO , em decorrência da decisão liminar no habeas corpus n. 0106034-23.2025.8.19.0000 .<br>Consta nos autos que o paciente foi inicialmente condenado pelo Juízo da 2ª Vara da Comarca de Três Rios, Areal e Levy Gasparian à pena de 5 (cinco) anos e 10 (dez) meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de 580 (quinhentos e oitenta) dias-multa, por infração ao artigo 33 da Lei n. 11.343/2006, com determinação de expedição de mandado de prisão e negativa do direito de recorrer em liberdade.<br>Na origem, foi impetrado habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que, em decisão monocrática, indeferiu a liminar e solicitou informações (fls. 9-10).<br>Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para: (i) assegurar ao paciente o direito de recorrer em liberdade, pois respondeu ao processo solto e não houve fundamentação concreta nos termos do artigo 312 do Código de Processo Penal; e (ii) reconhecer a ilegalidade da decretação de prisão preventiva de ofício na sentença, em descompasso com a vedação legal e com a Súmula n. 676, STJ (fls. 2-8).<br>É o relatório. DECIDO.<br>O art. 105 da Constituição não confere competência ao Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar, originariamente, habeas corpus contra ato de Desembargador de Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios.<br>Não cabe, portanto, em regra, habeas corpus contra decisão monocrática de relator, seja pela literalidade das hipóteses constitucionais de cabimento, seja pela indispensabilidade do esgotamento, no Tribunal de origem, das vias recursais. A regra tem por objetivo evitar a supressão de instância e o conhecimento de matérias que, em tese, não estariam, no tempo e no modo, na esfera de competência do Tribunal para o qual se destinou a indevida impetração. O exaurimento da instância antecedente é, pois, pressuposto de competência.<br>Nesse sentido:  ..  Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. (HC n. 725.534/SP, Terceira Seção, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 1/6/2022)<br>O Supremo Tribunal Federal, a partir desse racio cínio, editou o enunciado de súmula n. 691, amplamente aplicado, por analogia, pelo Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos: "(n)ão compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar".<br>Ao longo dos anos, contudo, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça construíram exceções à regra prevista naquela súmula, de modo a admitir o conhecimento precoce do habeas corpus na instância superior. Em resumo, a excepcionalidade é admitida quando a decisão impugnada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou, ainda, manifestamente contrária à jurisprudência da Corte (STF, HC n. 143.476/RJ, Segunda Turma. Rel. Orig. Min. Gilmar Mendes, Red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2017).<br>No caso dos autos, não verifico a existência de elementos suficientes que indiquem a presença de uma das exceções que demandam a superação do entendimento consolidado a fim de se conceder a ordem de ofício.<br>Ante o exposto, não conheço do habeas corpus , nos termos do art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.<br>Publique-se. Intimem-se.<br> EMENTA