DECISÃO<br>Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por EDNALDO HITLER PEREIRA ZANETONI à decisão que conheceu do Agravo para não conhecer do Recurso Especial, em razão da aplicação de óbices de admissibilidade recursal, nos termos do art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.<br>Em suas razões, sustenta a parte embargante:<br>A r. decisão de fls. 330/332 inadmitiu/negou seguimento ao Recurso Especial da parte Embargante com base, em suma, em óbices sumulares (v.g., Súmulas 7, 5, 83, 211 e 182 do STJ, além de Súmulas 284 e 735 do STF, por analogia, e na Súmula 568/STJ para decidir monocraticamente), sem, contudo, enfrentar de modo específico e suficiente as teses jurídicas e os dispositivos federais indicados, o que caracteriza negativa de prestação jurisdicional (arts. 489, §1º, IV, e 1.022 do CPC)<br> .. <br>6. A decisão embargada não examinou o prequestionamento ficto, limitando-se a invocar a Súmula 211/STJ (falta de prequestionamento), sem cotejar o conteúdo dos aclaratórios opostos na origem e a provocação expressa de enfrentamento. Tal proceder contraria a própria ratio do art. 1.025 do CPC e a orientação noticiada por este Tribunal.<br> .. <br>7. A Presidência não enfrentou argumentos centrais e dispositivos federais expressamente invocados, proferindo decisão que, ao tangenciar apenas óbices sumulares, deixou de se pronunciar sobre a tese jurídica de direito federal. A jurisprudência do STJ é firme em distinguir decisão contrária ao interesse de decisão sem fundamentação adequada; nesta última hipótese, reconhece-se violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, impondo-se integração do julgado (fls. 336-337 ).<br>Requer, assim, o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado.<br>A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios.<br>É o relatório.<br>Decido.<br>Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese.<br>Registre-se que "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ de 13.8.2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28.6.2007". (EDcl nos EDcl no REsp 1.642.531/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 22.4.2019.)<br>Por fim, ressalto que a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, não se coaduna com a via eleita. Nesse sentido, o EDcl no AgRg nos EREsp n. 1.315.507/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 28.8.2014.<br>Assim, não há qualquer irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria apta à apreciação desta Corte foi analisada, não padecendo a decisão embargada dos vícios que autorizariam a sua oposição (obscuridade, contradição, omissão ou erro material).<br>Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante sobre a reiteração deste expediente, sob pena de pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos versando sobre o mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil).<br>Publique-se.<br>Intimem-se.<br> EMENTA