DECISÃO<br>Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de DANIEL NAFFIEN e RODRIGO EVERTON PEREIRA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA.<br>Consta dos autos que o paciente DANIEL NAFFIEN foi condenado às penas de 3 anos e 4 meses de reclusão em regime inicial fechado e de pagamento de 16 dias-multa, como incurso nas sanções do art. 155, § 4º, I e IV, do Código Penal. Já o paciente RODRIGO EVERTON PEREIRA foi condenado às penas de 1 ano, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime aberto e de pagamento de 8 dias-multa, como incurso nas sanções do art. 155, § 4º, I e IV, do Código Penal.<br>A impetrante sustenta que o ingresso policial no domicílio dos pacientes foi ilegal, por ausência de fundadas razões que justificassem a medida, pois a ação se baseou apenas em rondas e na visualização de roupas de cores semelhantes às exibidas em imagens de baixa qualidade do furto, requerendo o reconhecimento da ilicitude das provas.<br>Alega que a sentença mencionou autorização do pai do paciente Rodrigo para o ingresso dos policiais, embora ele já fosse falecido, o que invalida esse fundamento e evidencia a irregularidade da diligência.<br>Assevera que não houve registro audiovisual da entrada na residência, existindo contradições nos relatos dos policiais sobre as vestes e circunstâncias da abordagem, o que enfraquece a narrativa oficial.<br>Afirma que a condenação carece de fundamentação robusta quanto à autoria, pois se apoia em depoimentos prestados meses após os fatos e na existência de roupas e bicicleta supostamente semelhantes às dos autores.<br>Defende que tais elementos são insuficientes para sustentar o juízo condenatório, impondo-se absolvição pela dúvida sobre a autoria delitiva.<br>Requer, em suma, a absolvição dos pacientes.<br>É o relatório.<br>O presente writ foi impetrado em 9/10/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 25/9/2025 (fl. 1.045).<br>Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária.<br>Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos.<br>Nesse sentido:<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.<br> .. <br>2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez.<br> .. <br>(AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.)<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL.<br>1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023).<br>2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022.<br>3. Agravo regimental desprovido.<br>(AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT - , Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.)<br>Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.<br>Cientifique-se o Ministério Público Federal.<br>Publique-se. Intimem-se.<br> EMENTA