DECISÃO<br>Na origem, trata-se de liquidação e cumprimento individual de sentença coletiva. Na sentença, julgou-se extinto o feito, nos termos do art. 485, IV, do CPC. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (mil reais).<br>O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa:<br>DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL EM AÇÃO COLETIVA. EFEITOS TERRITORIAIS DA SENTENÇA COLETIVA. RECURSO DESPROVIDO. .. I. CASO EM EXAME 1. AGRAVO INTERNO INTERPOSTO PELA UNIÃO CONTRA DECISÃO QUE DEU PROVIMENTO AO APELO DO EXEQUENTE EM AÇÃO DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. A RECORRENTE SUSTENTA A LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DA SENTENÇA AO TERRITÓRIO ESTADUAL E PUGNA PELA REFORMA DA DECISÃO. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A QUESTÃO EM DISCUSSÃO CONSISTE EM SABER SE: (I) A SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA PODE TER EFEITOS NACIONAIS, ABRANGENDO SERVIDORES DOMICILIADOS FORA DO ESTADO ONDE FOI PROFERIDA; E (II) A EXECUÇÃO PODE SER PROMOVIDA EM LOCAL DIVERSO DO DOMICÍLIO DO EXEQUENTE, EM OUTRA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A COISA JULGADA EM AÇÃO COLETIVA TEM EFEITOS ERGA OMNES, BENEFICIANDO OS INDIVÍDUOS, SEM LHES IMPOR PREJUÍZO. TAL ENTENDIMENTO ESTÁ EM CONSONÂNCIA COM O ARTIGO 103 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC), QUE PREVÊ QUE A COISA JULGADA COLETIVA BENEFICIA OS ENVOLVIDOS, SEM RESTRINGIR SEUS DIREITOS INDIVIDUAIS. 4 A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), NO TEMA 1075 (RE. 1.101.937), CONSOLIDOU QUE OS EFEITOS DE UMA SENTENÇA COLETIVA NÃO PODEM SER LIMITADOS AO TERRITÓRIO DO ÓRGÃO PROLATOR, DECLARANDO A INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 16 DA LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA (LACP), QUE RESTRINGIA ESSES EFEITOS. 5. NO CASO CONCRETO, A SENTENÇA COLETIVA NÃO LIMITOU OS BENEFICIÁRIOS AO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL, ABRANGENDO TODOS OS SERVIDORES FEDERAIS, RAZÃO PELA QUAL A EXECUÇÃO PODE SER PROMOVIDA EM QUALQUER FORO COMPETENTE. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. RECURSO DESPROVIDO. .. TESE DE JULGAMENTO: "1. A SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA PODE TER EFEITOS NACIONAIS, NÃO SENDO LIMITADA AO TERRITÓRIO DE COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. 2. A COISA JULGADA COLETIVA BENEFICIA TODOS OS INDIVÍDUOS QUE SE ENQUADREM NAS CONDIÇÕES DA AÇÃO, PERMITINDO EXECUÇÕES INDIVIDUAIS EM QUALQUER FORO COMPETENTE."<br>Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça.<br>É o relatório. Decido.<br>O recurso especial não deve ser conhecido.<br>A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos:<br>No caso concreto, parece-nos que os interesses protegidos pela sentença na demanda coletiva subjacente aproximam-se do que se classifica acima como "individuais homogêneos", face sua divisibilidade e por não serem determinados de plano os beneficiários, embora possam ser determináveis, . Os indivíduosa posteriori que serão beneficiários dos critérios jurídicos definidos na coletiva deverão ajuizar execução individual onde demonstrarão não apenas o , mas o quantum debeatur an . Por conseguinte, nem todos os demais serão beneficiados, poisdebeatur servidores nem todos se enquadram na sistemática de ajuste vindicado. Aqueles que se subsumem ao comando da sentença, fazendo, pois, jus ao bem da vida concedido, guardam homogeneidade fático-normativa, a propiciar a aplicação do microssistema de demandas coletivas, sobretudo na questão que envolve os limites subjetivos da sentença coletiva. A execução foi ajuizada pelos sucessores em nome próprio, sendo que as parcelas devidas se referem à incorporação do percentual de 28,86% às remunerações de seus servidores, ativos, inativos e pensionistas. DO ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL Outrossim, sob o aspecto jurisprudencial, não se afasta a legitimidade do exequente que promove o cumprimento individual de sentença ainda que domiciliado em outra localidade em relação à Seção Judiciária em que proferida a sentença na ação coletiva. (..) Ademais, no caso concreto, verifica-se que a r. sentença proferida na ação de cognição coletiva, salvo melhor juízo, não limitou a outorga do bem da vida pretendido a servidores lotados ou domiciliados no Estado do Mato Grosso do Sul<br>Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese.<br>Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.<br>Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial".<br>Relativamente às demais alegações de violação (artigos 502, 503, 507, do CPC) , esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF.<br>Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018.<br>O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017.<br>Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018.<br>Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária.<br>Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.<br>Publique-se. Intimem-se.<br> EMENTA