DECISÃO<br>Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de ROBERTO ANDRÉ BARDILHO ALVARES em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO.<br>Consta dos autos que o paciente foi definitivamente condenado à pena de 12 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão no regime fechado e de pagamento de 1.857 dias-multa, como incurso nos crimes previstos nos arts.33 e 35 da Lei n. 11.343/2006, na forma do art. 69 do CP.<br>A impetrante sustenta que não há provas seguras do vínculo estável entre o paciente e a corré, de modo que a condenação pelo art. 35 carece de demonstração do animus associativo.<br>Alega que houve inadequação na dosimetria, com uso da quantidade de droga para majorar a pena-base e, simultaneamente, afastar o redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, caracterizando bis in idem.<br>Afirma que a pena final imposta se mostra excessiva e desproporcional ao quadro fático, sobretudo diante do patamar mais baixo fixado na sentença.<br>Defende que estão presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora, porque o paciente cumpre pena considerada superior à adequada, justificando a tutela urgente.<br>Pondera que, em liminar, devem ser suspensos os efeitos do acórdão quanto ao art. 35 e ao excesso de pena, com a retomada do regime da sentença de primeiro grau.<br>Requer, liminarmente, a suspensão da execução da condenação pelo art. 35 e o abrandamento do cumprimento para o regime originalmente fixado.<br>No mérito, pede a absolvição do paciente pelo art. 35 ou, subsidiariamente, o redimensionamento das penas com ap licação do redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, em grau máximo e a adequação do regime inicial.<br>É o relatório.<br>O presente writ foi impetrado em 20/8/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 12/11/2019 (fl. 154).<br>Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária.<br>Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos.<br>Nesse sentido:<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.<br> .. <br>2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez.<br> .. <br>(AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.)<br>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL.<br>1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023).<br>2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022.<br>3. Agravo regimental desprovido.<br>(AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.)<br>Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.<br>Cientifique-se o Ministério Público Federal.<br>Remova-se a marcação de pedido liminar.<br>Publique-se. Intimem-se.<br> EMENTA